2006/06/06

intervenção de Alda Macedo

Queremos discutir modelos de avaliação que valorizem o desempenho dos professores

Hoje, que é o Dia Internacional da Criança (dia 1 de Junho) faz todo o sentido colocar a educação das crianças e dos jovens no centro do debate parlamentar, trazendo à discussão a política educativa do governo, muito particularmente para rejeitar a forma desastrosa como a Ministra da Educação transforma o que devia ser uma política mobilizadora para resolver os graves problemas da educação com que o país se defronta, numa ofensa para com os profissionais que dão corpo e rosto a essa política. Romper com o cerco de anos de um modelo de desenvolvimento fundado na exploração intensiva do trabalho precário pouco qualificado que conduziu Portugal a uma extraordinária fragilidade obriga a equacionar seriamente o papel da escola pública e obriga a um programa concertado da sua qualificação. Obriga, sobretudo à resolução dos problemas maiores com que nos defrontamos hoje e que no essencial se traduzem em baixos níveis de proficiência cognitiva, elevadas taxas de insucesso escolar e elevadas percentagens de abandono escolar precoce. Só uma escola pública de qualidade pode começar a resolver estes problemas. Insucesso e exclusão são os grandes males de que padece a educação em Portugal. Tratar os professores como se de um bando de malfeitores se tratasse não só não resolve nenhum destes problemas como resulta na desvalorização da sua função social e no agravamento da sua desmobilização.
O que a Ministra da Educação está a fazer é o mesmo que um realizador de cinema que matasse a sua personagem principal. Sem ela o realizador fica sem argumento. Sem professores a Ministra da Educação fica sem actores que levem a cabo aquilo que precisa de ser uma reforma profunda mas também agregadora, mas também responsabilizadora de todos os intervenientes na educação. A escola não resolve sozinha os problemas que decorrem da pobreza extrema, da exclusão social, do desemprego, da violência desumanizada das nossas cidades. Não só não os resolve como é ela mesma a primeira vítima e é ela mesma que reflecte os primeiros sinais do agravamento das contradições sociais em que vivemos. Contudo, não sendo a solução milagrosa de todos os males, ela é um parceiro fundamental na promoção de progresso, de coesão, de emancipação.
Não existe transformação social sem conhecimento nem técnica; não existe transformação social sem arte nem criatividade; não existe transformação social sem sentimentos nem afectos. Revalorizar a educação é por isso a chave de qualquer projecto de desenvolvimento. Para tanto é essencial que a escola recupere um sentido e um valor para aquilo que são as suas competências específicas no campo da educação. Não basta produzir pequenas reformas que podem dar pequenos passos para produzir pequenas mudanças. E isso foi tudo o que o Governo conseguiu produzir ao longo deste ano de governação. Falta todo o resto, falta atribuir um valor real aos saberes de forma a ser capaz de seduzir as crianças, os jovens e os adultos para essa extraordinária aventura que é a descoberta do conhecimento. Falta tornar a escola numa escola verdadeiramente inclusiva, que não desiste de nenhuma das suas crianças, que conhece e interpela as comunidades onde está inserida. Falta desenhar projectos educativos que se dirigem a todos e a todas mesmo às pessoas que já desistiram de ter um projecto de vida. Tudo isto é o que falta para colocar a educação na fasquia mais alta da exigência. E tudo isto está por fazer. Não vale vir a Ministra da Educação e fazer batota ao jogo, transferindo responsabilidades pela falência da organização escolar e do poder político exclusivamente para os professores, injuriando toda uma classe pelo caminho.
Queremos uma escola exigente, uma escola exigente tem que ter profissionais de grande qualidade. Por isso, quando hoje discutimos as escolhas para a carreira docente acusamos as propostas do governo de não cumprirem essa finalidade fundamental: a de colocar a qualificação dos docentes no centro das medidas propostas. Queremos discutir modelos de avaliação que valorizem o desempenho dos professores, que lhes confiram responsabilidade, que reforcem a sua profissionalidade e que reconheçam a importância e o peso social do seu desempenho. No entanto não é possível equacionar modalidades de avaliação se não forem paralelamente equacionados os modos e modelos de formação inicial e contínua, bem como a forma de certificar as entidades formadoras que têm responsabilidade nesta área. Assim como não é possível equacionar um modelo de avaliação que não corresponda a um reconhecimento sistemático da qualidade do desempenho. Não nos conformamos com soluções fáceis e populistas como as que o governo colocou em cima da mesa. Deixar os professores reféns de pressões individuais dos pais ou dos resultados dos alunos dá a aparência de promoção da participação mas não é outra coisa que não seja um exercício de deformação do papel da avaliação, demolidor da decência mais elementar. Conhecemos o papel perverso que os rankings das escolas desempenharam. Sob a capa de transparência de informação tiveram um papel determinante no agravamento de processos de guetização das escolas. Conceber a avaliação dos professores e a sua progressão na carreira dentro da mesma lógica teria como resultado a criação de guetos dentro de guetos e seria extraordinariamente demolidor para a escola pública. A avaliação dos professores tem que ser instrumento para a retribuição das boas práticas pedagógicas e didácticas, tem que ser ao mesmo tempo um instrumento de aferição das necessidades de formação e de correcção de escolhas e percursos, assim como não pode deixar de ser equacionada na relação dinâmica entre o docente enquanto indivíduo e enquanto parte de uma organização complexa. Não é possível portanto aceitar um modelo de avaliação que tem um objectivo escondido que é o de conter e retardar o acesso dos docentes aos níveis mais remunerados da carreira docente. A defesa da escola pública não pode ficar limitada a declarações generosas de intenções que não correspondem às políticas que produzem. A escola pública é o garante da democracia em educação, ela é território privilegiado para colocar a educação ao serviço do desenvolvimento, por isso é indispensável que o mesmo grau de exigência de qualidade que lhe conferimos seja conferido à políticas educativas onde não pode haver lugar para cedências nem para a ausência de rigor nem para facilidade populista das propostas, e muito menos para a generalização da culpabilização dos professores que devem ser protagonistas privilegiados da mudança.

2006/05/31

CONVERSAS EM BLOCO "CHERNOBYL: 20 ANOS"

"CHERNOBYL: 20 ANOS"

Maria de Lurdes Cravo
Rita Ávila
Rui Silva

1 de Junho Cave
5ª feira - 21H30 Galeria Sta Clara

conversas em bloco

Realiza-se já na próxima 5ª feira (1 de junho) mais uma das Conversas em Bloco. Desta vez o tema será "CHERNOBYL: 20 ANOS" e contará com as presenças de Maria de Lurdes Cravo, Rita Ávila e RUI SILVA. Ela terá lugar na Cave da Galeria Sta Clara, a partir das 21h30.

Aparece! Traz um@ amig@ também...

2006/05/26

CONVERSAS EM BLOCO "EDUCAÇÃO"

“Educação: Que Qualidade?”
João Santo
José João Lucas
Representante da Câmara Municipal

Sábado – 27 de Maio – 15H
Biblioteca Municipal de Miranda do Corvo

Organizada pelo Núcleo do Bloco de Esquerda de Miranda do Corvo


2006/05/24

CONVERSAS EM BLOCO "EDUCAÇÃO"

Realizar-se-á no sábado (dia 27/5) uma conversa sobre educação, a partir das 15h, na biblioteca municipal de Miranda do Corvo, organizada pelo núcleo BE.
Segue texto feito pelo João Santo, sobre o que se pretende com a mesma.

"Sugeria que a conversa fosse sobretudo um espaço onde se pudesse reflectir sobre a temática da educação a partir de algumas ideias comuns, que serviriam como de ponto de partida para desmistificar algumas questões que estão presentes nos discursos habituais...

Entre elas: a estafada ideia da "liberdade de aprender e ensinar" que faz com que todas/os estejamos a pagar o ensino privado em desfavor do ensino público, a questão dos rankings co-mo estratégia para aferir a qualidade do ensino, a ideia populista que coloca as substituições como solução para o problema do insucesso escolar, fazendo crer que este esteja ligado ao absentismo dos professores, a "inculta" escola de hoje face aos padrões e práticas do passado, que levavam a que um aluno com a 4a classe "soubesse??" mais do que um aluno terminal do 9º ano, as políticas educativas que continuam a pôr a tónica nos conteúdos exigidos nos exames, quando paradoxalmente incentivam um saber mais prático, difícil de avaliar com os instrumentos avaliação utilizados, a noção de que educação é um somatório de escolas, carteiras, cadeiras e quadros negros/verdes, quando se pretende entrar na era tecnológica e de preparação para a mudança...

Enfim, analisar a consistência das medidas tomadas central e localmente para poder melhorar a escola e o acesso ao conhecimento..."

2006/05/22

CONVERSAS EM BLOCO "MULHERES: DIGNIDADE E LUTA(S)"

O Núcleo do BE de Miranda do Corvo na sequência das conversas temáticas "Conversas em Bloco" que tem vindo a desenvolver no concelho, promoveu uma sessão cujo tema foi “Mulheres: Dignidade e Luta(s), no dia 8 de Abril, pelas 15 horas, na Sala Polivalente da Biblioteca Miguel Torga. Na mesa estiveram presentes Alda Macedo, deputada do Bloco de Esquerda, Ana Costa, da Plataforma Portuguesa dos Direitos das Mulheres, Cristina Santos, da associação “Não te Prives” e Sandra Silvestre, da “Acção para a Justiça e Paz”. Júlia Correia, do Núcleo do Bloco de Esquerda de Miranda do Corvo, foi a moderadora.

Ana Costa começou por fazer uma reflexão sobre os Direitos das Mulheres numa era da globalização, “a questão da desigualdade de géneros já não pode ser tratada só a nível nacional”. Debruçou-se sobre o tema de tráfico de pessoas para fim de exploração sexual que movimenta elevadas somas, havendo um crime organizado internacional igual ao tráfico de drogas ou armas. O processo é quase sempre o mesmo: começa com a violação, retiram-se os documentos à vítima que fica dependente e subjugada. Quase sempre as mulheres traficadas vêm de países mais desfavorecidos.

Este crime só pode ser combatido através de parcerias e a nível internacional. Associado às redes de tráfico estão os grandes eventos, como será o Europeu na Alemanha onde se calcula que venham a ser traficadas 40.000 mulheres. Já estão a ser construídos mais bordéis e caixas de “performance” junto aos estádios.

A Plataforma Portuguesa dos Direitos das Mulheres não se pronuncia sobre legislação, mas sim sobre o tráfico. Aquando do Europeu 2004 em Portugal, em Coimbra as prostitutas aumentaram, principalmente prostitutas negras, pois os adeptos das duas equipas eram de países nórdicos e geralmente procuram a aventura “diferente”.

Cristina Santos focou a sua intervenção na transgeneralidade, lesbianismo e transsexualidade. Começou por referir que uma mulher lésbica é duplamente discriminada: porque é mulher e porque é lésbica. Deu vários exemplos de discriminação como Teresa e Helena, Liliana, Gisberta, que vêem os seus direitos atropelados em nome de uma normalidade que por si só é inexistente. “Não podemos esquecer que ainda há bem pouco tempo uma estudante, num shopping em Coimbra, viu ser-lhe vedada a compra de uma botas, simplesmente por ser de origem africana”.

Sandra Silvestre, da “Acção para a Justiça e Paz”, iniciou a sua apresentação com um documento cujo tema foi “Não basta termos razão” onde é abordada a questão da paridade: “Acreditamos que o sentido último do feminismo é uma cultura de paz”; “As mulheres são fazedoras de paz, uma democracia paritária, inclusiva e participativa, sem paternalismos, nem materialismos, é possível”.
Sandra mencionou a imagem estereotipada e sexista que é passada da mulher, a referência ainda existente das práticas masculinizadas do poder e na difícil tarefa de conciliar vida doméstica com vida profissional: “apesar dos avanços, a discriminação com base no género continua”.

Alda Macedo, deputada do Bloco de Esquerda, acredita na paridade e “nas leis da paridade que vão dar mais visibilidade à participação pública das mulheres.”; “ A paridade irá depois ter repercussões a nível da sociedade e começará a alterar os estereótipos e a romper com o círculo de reprodução de papéis tradicionais e estereotipados”.

Segundo Alda Macedo, “todos os dias assistimos à violência simbólica enquanto continuamos a ter a loura e a morena no anúncio da cerveja, por exemplo.” Para a deputada do BE, temas como o aborto, a mutilação genital, o direito à orientação sexual, não devem ser esquecidos, mas sim lembrados e discutidos. “Não devemos de ter medo de sermos feministas, até porque há vários grupos de feministas e o papel da mulher na sociedade não deve ser menosprezado ou diminuído pelo receio de utilizar um conceito que a nós diz respeito”.
Mirante



Imagens da Conversa Temática do BE

2006/04/04

CONVERSAS TEMÁTICAS : MULHERES DIGNIDADE E LUTA

O núcleo do Bloco de Esquerda de Miranda do Corvo irá promover já no próximo sábado (dia 8 de Abril) a conversa "Mulheres: Dignidade e Luta(s)".

Ela contará com a presença de Alda Macedo (deputada do Bloco de Esquerda), Ana Costa (Plataforma para Direitos das Mulheres), Cristina Santos (Não Te Prives) e Sandra Silvestre (Acção, Justiça e Paz).

Esta conversa será moderada por Júlia Correia e realizar-se-á, a partir das 15h, na biblioteca municipal de Miranda do Corvo.

2006/02/06

A DOENÇA DA SAÚDE

O Núcleo do Bloco de Esquerda de Miranda do Corvo não pode deixar que a expectativa em relação aos Centros de Saúde e, mais em concreto, em relação ao serviço de urgências de Miranda do Corvo, se perpetue sem que nada mais seja dito e feito.
Já há muito que todas e todos sabemos que as estruturas do Serviço Nacional de Saúde estão em ruptura. Não há novos médicos para substituir os que estão a reformar-se. Existe um problema de falta de recursos humanos que não podemos ignorar. Não é possível continuar com um serviço de saúde sem que haja o mínimo. É necessário repensar qual a utilidade de unidades subapetrechadas, em que a/o doente sabe que ali, só com sorte, conseguirá resolver o seu problema. É premente requalificar e não apenas retirar. Se o Ministério da Saúde está a pensar em encerrar sem criar alternativas, o BE opõe-se firmemente.
O Núcleo do BE de Miranda defende que deverá ser criado um pólo avançado de urgência em que convirjam um conjunto de unidades de saúde. Não é solução o encerramento dos serviços de urgência nos vários concelhos, uma vez que, os hospitais centrais, nomeadamente os HUC, ficariam sobrecarregados.
É necessário um serviço que funcione vinte e quatro horas por dia, com uma unidade de tele-medicina, um desfibrilhador, radiologia, um centro de análises, um call centre, uma ambulância devidamente apetrechada e a devida formação dos profissionais que continua esquecida.
È fundamental repensar as extensões dos Centros de Saúde abertas uma vez por semana. Valerão a pena os custos de um médico que se desloca para atender, durante duas horas, no máximo, dois utentes? De igual forma, é importante que o doente consiga ter consulta no próprio dia com o seu médico de família, sem ter que recorrer ao Serviço de Urgências, evitando a ida ao Centro de Saúde às cinco da manhã.
O poder autárquico não poderá ficar de fora e, muito menos, ignorar as suas responsabilidades. Para criar esse pólo são necessárias: boas acessibilidades, cooperação ao nível do investimento tecnológico, um espaço físico adequado, condições para um atendimento de qualidade em que as e os utentes sintam que ali tudo existe para servi-los.
Cabe aos cidadãos e cidadãs ter uma palavra a dizer, pressionando a Administração Regional de Saúde para que, com a máxima brevidade, apresente um estudo sobre a melhor localização desse pólo avançado. Naturalmente, caso já exista um parecer que indique o Centro de Saúde de Miranda do Corvo como o que apresenta melhores condições, até porque acabou de ser remodelado, deverá ser cuidadosamente cumprido.
Não se pode enterrar a cabeça na areia e aceitar como mero fatalismo aquilo que querem tirar, sem que sejam dadas alternativas. O núcleo do BE acredita ser possível tratar a doença da saúde através da mobilização cívica das/dos munícipes, sem espírito bairrista, mas com a plena consciência da defesa do direito à saúde. Com a saúde não se brinca.
Núcleo do BE de Miranda do Corvo, Fevereiro de 2006

2006/02/03

3ª FEIRA SOLIDÁRIA

Realiza-se amanhã de manhã, começando às 10h, a Terceira Feira Solidária em Miranda do Corvo, realizada pelo Ñúcleo do Bloco de Esquerda de Miranda do Corvo. Junto ao Mercado de Miranda.

Aparece!

2006/01/25

Resultados Eleitorais em Miranda do Corvo

Presidenciais 2006
CAVACO SILVA: 2973 (45.79%)
MANUEL ALEGRE: 1925 (29.65%)
MARIO SOARES: 1016 (15.65%)
JERONIMO SOUSA: 310 ( 4.77%)
FRANCISCO LOUCA: 249 ( 3.83%)
GARCIA PEREIRA: 20 ( 0.31%)
Legislativas 2005
PS: 3788 (53.54%)
PPD/PSD: 2019 (28.54%)
B.E.: 349 (4.93%)
CDS-PP: 283 (4.00%)
PCP-PEV: 280 (3.96%)
PND: 53 (0.75%)
PCTP/MRPP: 37 (0.52%)
POUS: 16 (0.23%)
PH: 15 (0.21%)
PNR: 4 (0.06%)
Câm. Municipal 2005
PPD/PSD.CDS-PP: 3814 (51.33%)
PS: 3068 (41.29%)
PCP-PEV: 199 (2.68%)
B.E.: 108 (1.45%)
Ass. Municipal 2005
PPD/PSD.CDS-PP: 3481 (46.84%)
PS: 3216 (43.27%)
PCP-PEV: 287 (3.86%)
B.E.: 178 (2.40%)
Legislativas 2002
PS: 3163 (47.47%)
PPD/PSD: 2562 (38.45%)
CDS-PP: 332 (4.98%)
PCP-PEV: 253 (3.80%)
B.E.: 114 (1.71%)
PCTP/MRPP: 28 (0.42%)
PPM: 28 (0.42%)
MPT: 20 (0.30%)
P.H.: 20 (0.30%)
PNR: 9 (0.14%)
POUS: 8 (0.12%)
Presidenciais 2001
JORGE SAMPAIO: 3344 (62.27%)
FERREIRA AMARAL: 1699 (31.64%)
ANTONIO ABREU: 144 (2.68%)
FERNANDO ROSAS: 124 (2.31%)
GARCIA PEREIRA: 59 (1.10%)

TEMPOS DE SEMENTEIRA

A eleição presidencial do passado dia 22 de Janeiro encerra um longuíssimo ciclo político. Foi um ano alucinante - ou ano e meio, se nos reportarmos às eleições europeias de Junho de 2004, no qual aconteceu de tudo: desde a morte trágica de Sousa Franco, em campanha na lota de Matosinhos; o naufrágio eleitoral da coligação de direita PSD-PP e a "fuga para a frente" de Durão Barroso - no caso, para Bruxelas; o intervalo publicitário de Santana Lopes, até à dissolução do parlamento.
O ano de 2005 não quis ficar atrás do seu antecessor, e foi o que se viu: terramoto nas legislativas de Fevereiro que varreu a direita da governação e deu uma maioria absoluta ao PS, liderado por José Sócrates; as trapalhadas do referendo à pseudo Constituição Europeia, enterrada pelos NÃO da França e da Holanda; o referendo em falta sobre a despenalização do aborto; as autárquicas em 9 de Outubro, logo seguidas pelo arranque de uma prolongada pré-campanha presidencial.
Costuma dizer-se que tudo vai bem quando acaba bem - não foi o caso, para as esquerdas, no passado Domingo. Mas é bom visualizar todo o cenário, evitando pessimismos estéreis ou euforias descabidas. Sem esquecer o pano de fundo da "guerra infinita", com os EUA e os seus "parceiros" atascados no Iraque e no Afeganistão, com o Irão e sabe-se lá quem se segue na mira... Um mundo em convulsão com uma Europa submissa, digna da estatura do seu actual Presidente da Comissão, onde Ângela Merkel tenta emergir como nova 'dama de ferro'.
A eleição de Cavaco Silva à primeira volta, anunciada há meses, esteve longe da coroação sonhada pela direita. E a escassa margem de 64 mil votos deixa um sabor amargo à esquerda que teve a segunda volta quase ao alcance da mão, bastando para tal que a abstenção baixasse 2 ou 3 pontos percentuais. Sem a pretensão de atribuir culpas, foi evidente a desmobilização do eleitorado socialista que se viu confrontado com dois candidatos - Soares e Alegre - digladiando-se.Tal como nas autárquicas, o eleitorado aproveitou as presidenciais para castigar o governo de José Sócrates, defraudado pela violação das promessas eleitorais: aumento da carga fiscal para quem já pagava impostos, sobretudo o IVA a 21%; congelamento salarial e ataques selectivos aos direitos dos trabalhadores, procurando dividir a função pública do sector privado e isolar certas categorias profissionais, para encobrir uma ofensiva global contra o mundo do trabalho. Algumas medidas do governo, como os aumentos de transportes e de bens essenciais e do imposto sobre os combustíveis, na véspera das eleições, deram o empurrão que faltava para a curta vitória de Cavaco Silva.
Paradoxalmente - e ao contrário do que pretendia este voto "de castigo"- esta eleição é um impulso ao agravamento da política anti-social dogoverno. A cooperação institucional anunciada pelo novo inquilino de Belémvai no sentido de apoiar todas as medidas antipopulares, exigindo "coragem"ao executivo para que faça o "trabalho sujo" e nele se desgaste, com o brinde adicional de, assim, ir preparando o terreno à recuperação eleitoral dos partidos da direita e do seu velho sonho: "um governo, uma maioria e um presidente", agora por ordem inversa...
A candidatura de Manuel Alegre absorveu boa parte deste voto de castigo, não apenas à má escolha do candidato oficial do PS mas também à política do governo Sócrates. A grande expressão eleitoral desta candidatura coloca-o perante uma contradição insanável: ou regressa ao redil do PS - onde não há espaço de alternativa consistente ao neoliberalismo - para desilusão de grande parte dos seus eleitores; ou arrisca uma nova formação, para a qual não antevejo espaço político, tendo até como antecedentes (e ressalvadas todas as diferenças) as candidaturas de Otelo e Pintasilgo.
É justo realçar o bom resultado da candidatura de Jerónimo de Sousa, recuperando algum eleitorado tradicional do PCP que compareceu em peso às urnas - e ainda bem! A candidatura de Francisco Louçã, com bom desempenho e propostas inovadoras - por exemplo sobre a segurança social, que precisa deter tradução no parlamento - não evitou o desvio de votos urbanos para Manuel Alegre. Aconteceu também na cidade de Beja, em contraponto às subidas em concelhos como Vidigueira, Odemira ou Barrancos e em muitas freguesias rurais.
O enraizamento desta nova esquerda plural, popular e não sectária vai fazendo o seu caminho, com muito trabalho pela frente: no parlamento, na rua, nas autarquias, sindicatos e associações populares. Sem descurar a unidade de acção com outras forças à esquerda da governação, numa altura em que nem há eleições à vista...
Alberto Matos

anexo à estação de miranda

foto de rafael vieira

2006/01/24

Atingimos os quinhentos visitantes no blog! Estamos de parabéns!

SEJAMOS JUSTOS EM VEZ DE MESQUINHOS

[No passado dia 9 de Novembro celebrou-se] o Dia Contra o Racismo. Não é possível deixar passar esta data em branco sabendo que continuam a existir manifestações racistas, sabendo que muitos de nós continuam a despoletar a indiferença e a discriminação em relação a pessoas oriundas de outros países. Em pleno século XXI, continuamos a colocar como bode expiatório de todas as nossas desgraças, todos aqueles que são diferentes de nós. Depende das zonas onde vivemos, mas não somos pobres a apontar o dedo: ora são os chineses, ora são os “pretos”, ora são “os do leste”. Já para não falar na prata da casa - os ciganos. Todos nos incomodam. Sendo nós um povo de emigrantes, pergunto-me quando paramos para pensar e aceitar de uma vez por todas que, tal como gostamos de ser bem recebidos nos outros países, também devemos receber bem quem chega ao nosso. Faz parte da cultura de um povo receber e aceitar todos aqueles que tenham outros costumes, outras formas de pensar, tendo muitas das vezes uma formação superior à sua. A fama de hospitaleiro não deve funcionar só para os turistas. A diversidade significa enriquecimento, diferença é sinónimo de valorização do ser humano. Até porque, muitas das vezes as pessoas são discriminadas só por uma questão económica. Se tiverem dinheiro, até podem ser às riscas ou terem a pele cinzenta que já não importa.
Inventar desculpas falaciosas como o desemprego, o crime e esquecer tudo aquilo que está a ser feito por um Portugal mais fraterno, mais aberto, mais desperto para o mundo envolvente, parece-me que não é a melhor via. Curiosamente foi precisamente num dia 9 de Novembro, mas de 1989, que se abriram as fronteiras da Alemanha Oriental tendo sido destruído o Muro de Berlim. Deu-se o triunfo da democracia e a derrota do autoritarismo. Parece-me que a destruição dos 166 quilómetros do Muro da Opressão simbolizam precisamente a abertura, neste caso, dentro do mesmo povo. Não quero entrar em questões como a dicotomia socialismo/ capitalismo, interessa-me sim salientar que, quanto mais fechado um povo é, maior propensão para o dogmatismo e obscurantismo existe. Sejamos justos em vez de mesquinhos. Todos temos a ganhar com isso.

Não posso terminar sem desejar um excelente mandato aos autarcas que tomaram posse no passado dia 28 de Outubro. Tal como a Sra. Presidente, Fátima Ramos, referiu no seu discurso de tomada de posse, no Bloco de Esquerda de Miranda do Corvo existem pessoas com vontade de colaborar. Respeitamos a votação da(o)s mirandenses nestas eleições autárquicas e desejamos que este novo mandato seja pautado pelo progresso e desenvolvimento do concelho, sendo ouvida(o)s toda(o)s a(o)s cidadã(o)s de Miranda do Corvo. Defendemos a participação cívica, o envolvimento das populações e uma perspicácia democrática que permita a abertura a todas as forças políticas do concelho.
Júlia Correia, Núcleo do BE de Miranda

2005/12/21

VILA NOVA



gerador eólico de vila nova
foto de rafael vieira

ALDEIA DO CORVO



vistas da aldeia do corvo - rossio do corvo
fotos por rafael vieira

ALDEIA DO GONDRAMAZ



vistas da aldeia do gondramaz, nas faldas da Serra da Lousã.
foto acima de escultura de Carlos do Gondramaz
fotos por rafael vieira

NATAL VS SOLIDARIEDADE = MIRAGEM

Natal.

Eis uma palavra que deveria rimar com partilha, solidariedade, humildade e tudo isto com uma grande dose de amor, alegria e saúde.

Infelizmente, o Natal transformou-se num mensageiro comercial e fez cada um de nós seu escravo. Porque é isso que somos: escravos consumistas. Os grandes grupos económicos comandam a nossa vontade e orientam a nossa vida. Quem desejar um ecrã de plasma e não tiver dinheiro, basta ir à banca; ou quem quiser comprar um carro, a banca está lá para transformar o sonho em realidade.

Gastam-se pipas de massa em roupas mas pede-se crédito para o aparelho dentário do filho. Não há dinheiro para uma alimentação equilibrada mas há dinheiro para o telemóvel porque, segundo a publicidade, este é indispensável para a nossa sobrevivência. Não há dinheiro para comprar livros aos filhos mas há dinheiro para ir ver o jogo de futebol.

Passando para um plano mais alargado (consequentemente mais revoltante), não há dinheiro para construir hospitais pediátricos, não há dinheiro para dar gratuitamente livros aos nossos alunos (como acontece nos outros países da Europa). Mas há dinheiro, isso sim, para campos de futebol, para pagar ordenados exorbitantes a juízes, médicos, directores gerais e jogadores de futebol (porque esses também são pagos com o dinheiro dos contribuintes, não esqueçamos!).

Qual é a relação de tudo isto com o Natal? Uma balança com pratos desiguais. O Estado e as autarquias gastam demasiado dinheiro em obras que muitas vezes só servem para deixar o nome de quem mandou fazê-las. Estas entidades desprezam o aspecto social e as verdadeiras necessidades do seu eleitorado.

O consumismo rima com egoísmo e indiferença, e estes sentimentos muitas vezes passam de geração em geração. Os pais acham que têm direito a concretizar os seus desejos. Os filhos também defendem a mesma posição. Vai daí que os nossos rebentos, que por sinal são bastante perspicazes, quando não conseguem alcançar os seus objectivos, fazem simplesmente chantagem. Os pais, por preguiça, desinteresse ou desinformação cedem aos caprichos dos filhos. Dar tudo a um filho não é educação e não é certamente amor, mas é fazer dele um ser pequeno, egoísta e desinteressado de tudo e de todos os que o rodeiam.

Substituir o amor por bens materiais é típico de uma sociedade consumista que perdeu os valores que devem reger uma sociedade justa, aberta, solidária e consequentemente democrática. A democracia não significa somente direitos mas também deveres. E um dos deveres da democracia é tornar a sociedade mais justa. É evitar que uns tenham tudo e outros nada tenham. E isto ensina-se. Ensina-se que a liberdade não deve servir de desculpa para o nosso egoísmo e indiferença. Virar a cara porque não conseguimos ver as imagens da fome ou da sida em África, pensar que nada pode mudar o rumo das coisas, achar que uma voz ou uma cruz num boletim de voto não faz qualquer diferença não é sinal de oposição, mas sim de conformismo.

Sinceramente, era tempo que este planeta, porque não é certamente um mal só nacional, mude de rumo. O nosso tempo já lá vai, o problema são aqueles que cá ficam e que certamente não têm culpa da nossa estupidez.

Por achar que as palavras por vezes não bastam. Porque dar o exemplo não custa nada e é a melhor maneira de avançar, o Bloco de Esquerda vai realizar uma feira solidária de venda de brinquedos educativos, livros, cds , cuja receita irá reverter a favor de uma instituição do concelho de Miranda do Corvo. Esta feira irá ser realizada pela primeira vez em Dezembro, mas o Bloco pretende continuar com esta iniciativa ao longo do próximo ano, eventualmente mensalmente. Queremos que a miragem se transforme em realidade. Solidariedade? Sempre.

Miranda do Corvo, 17 de Dezembro de 2005
Texto revisto, Dezembro de 2005

2005/11/09

Acessibilidades


Como nota introdutória pretendemos condenar a leva de obras viárias que nestes últimos meses encurralaram e esventraram Miranda, num cerco apertado de máquinas e operários, de contrariedades e desconforto, isolando aldeias, sitiando a vila, impondo percursos e atalhos anormalmente extensos aos mirandenses e visitantes. A horda de trabalhadores ocupou Miranda em todos os seus acessos, desconsiderando os seus habitantes, numa manobra de absurda e denunciativa “caça ao voto”. De que outro modo se poderiam classificar estas obras, realizadas imediatamente antes e sobre as eleições autárquicas, obras estas que nunca teriam a visibilidade necessária se feitas noutra altura ou em menor escala, em épocas susceptíveis de menor congestionamento e/ou faseadas por ruas? Populismo gratuito e desonestidade intelectual é como as classificamos!


Miranda do Corvo continua longe, muito longe de Coimbra.

Miranda necessita de ligações viárias de qualidade, para não viver à sombra do transporte ferroviário que a marca como dormitório de Coimbra, precisa de soluções viárias capazes para vencer o isolamento a que a votaram a passividade dos anteriores executivos. A ausência de ligações rodoviárias eficazes estrangula o desenvolvimento da vila, impede que mais indústria se fixe, leva outras a ponderar a sua saída (levando consigo os tão necessários empregos), afasta eventuais visitantes e empurra potenciais moradores para outras paragens que não têm esta problemática de acessibilidades. Miranda conta sobretudo com uma inacessibilidade envergonhada e vergonhosa.

A ferrovia é uma mais valia para o concelho mirandense mas circula não sem inúmeros problemas (como sejam a interminável questão do Metro Mondego - que rejeitamos veementemente em favor de uma mais realista electrificação da linha da Lousã, as composições envelhecidas e seus decrépitos apeadeiros e estações e ainda a irregularidade dos horários e insuficiência de carruagens a horas de menor e maior afluência de viajantes, respectivamente). A Cp deve apostar claramente na manutenção e exploração das linhas férreas, devendo pôr de lado o encerramento e a entrega a privados da exploração das mesmas – aliás, não se entende muito bem, como é que noutros países europeus se procede ao alargamento do número de quilómetros de via férrea e em Portugal se procede em nome do lucro (!), ao encerramento de ramais. Por outro lado, pretende ainda o BE pedir um esclarecimento relativamente ao montante dos salários pagos pela Metro Mondego e do dinheiro público desbaratado por esta empresa, já que o projecto não avançou nem um milímetro.

Mas os cidadãos de Miranda não podem depender unicamente do caminho de ferro para chegarem à capital de distrito ou outros destinos e entendemos como fundamental a beneficiação da rede de estradas concelhia e das ligações regionais e inter-concelhias, seriamente degradadas e descuidadas ou deficientemente realizadas.

As responsabilidades serão sempre do executivo camarário mirandense pois constituem o porta-voz eleito das gentes de Miranda e os elementos de pressão natural, junto do Governo e do EP para a rectificação de traçados principais conduzidos por mãos incompetentes (como a EN342 e a EN17).

No caso da segunda estrada, chamada de das Beiras e de importância regional, é vítima de obras sobre obras desde 2001; soma trabalhos de reparação sobre trabalhos de rectificação numa empreitada que estava programada para durar um ano e se prolonga até hoje, já em 2005. É necessária uma posição de força para ver terminada esta obra de “Santa Engrácia” e é absolutamente necessário responsabilizar os culpados de tanta incompetência e desperdício de recursos.

A mesma situação repete-se na EN342, via vital de ligação peri-urbana e à A1, depois de decénio e meio (16anos!!) de constantes obras e adiadas esperanças para a população de Miranda, que continua a depender de vias secundárias e perigosas para sair e aceder às terras mirandenses, seja por via de Lamas, dos Moinhos, de Vale de Colmeias ou Segade. O troço da EN342 é tortuoso e serpenteante e convida a quem nele circule a um qualquer inesperado despiste. O segmento recém inaugurado com destino a Condeixa segue a mesma cartilha de irracional desenho de estradas. Pretendemos uma séria revisão e correcção desta variante a Miranda, por primordial necessidade.

Também as estradas municipais e camarárias precisam de atenção especial, de rectificação de traçados, revestimentos e bermas, convertendo estas em reais e seguros passeios e não apenas em meros escoamentos de águas pluviais em detrimento da circulação segura de peões. Defendemos ainda, a ligação da vila a todos os lugares do concelho, através de autocarros, com horários que sirvam as populações, deixando assim de haver lugares inacessíveis no concelho, contrariando a tendência de desertificação rural.

Estas obras de melhoramento constituem um processo de desenvolvimento fundamental a que o BE vai dedicar especial atenção porque consideramos Miranda com um potencial turístico e de fixação populacional descurado. Vamos colaborar como oposição competente, com contribuições construtivas e ocasionais lembretes.

Queremos que Miranda ocupe um lugar de destaque na GAM de Coimbra e que se posicione como local de atractibilidade turística beirã. Queremos o comboio potenciado como elemento turístico e convertido num veículo moderno, rápido e eficaz de transporte de massas. Queremos que o executivo agora eleito assuma as suas responsabilidades perante a população mirandense e realize todas estas obras necessárias ao seu conforto e progressão.
Núcleo do BE de Miranda do Corvo

2005/10/20

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