2006/02/06

A DOENÇA DA SAÚDE

O Núcleo do Bloco de Esquerda de Miranda do Corvo não pode deixar que a expectativa em relação aos Centros de Saúde e, mais em concreto, em relação ao serviço de urgências de Miranda do Corvo, se perpetue sem que nada mais seja dito e feito.
Já há muito que todas e todos sabemos que as estruturas do Serviço Nacional de Saúde estão em ruptura. Não há novos médicos para substituir os que estão a reformar-se. Existe um problema de falta de recursos humanos que não podemos ignorar. Não é possível continuar com um serviço de saúde sem que haja o mínimo. É necessário repensar qual a utilidade de unidades subapetrechadas, em que a/o doente sabe que ali, só com sorte, conseguirá resolver o seu problema. É premente requalificar e não apenas retirar. Se o Ministério da Saúde está a pensar em encerrar sem criar alternativas, o BE opõe-se firmemente.
O Núcleo do BE de Miranda defende que deverá ser criado um pólo avançado de urgência em que convirjam um conjunto de unidades de saúde. Não é solução o encerramento dos serviços de urgência nos vários concelhos, uma vez que, os hospitais centrais, nomeadamente os HUC, ficariam sobrecarregados.
É necessário um serviço que funcione vinte e quatro horas por dia, com uma unidade de tele-medicina, um desfibrilhador, radiologia, um centro de análises, um call centre, uma ambulância devidamente apetrechada e a devida formação dos profissionais que continua esquecida.
È fundamental repensar as extensões dos Centros de Saúde abertas uma vez por semana. Valerão a pena os custos de um médico que se desloca para atender, durante duas horas, no máximo, dois utentes? De igual forma, é importante que o doente consiga ter consulta no próprio dia com o seu médico de família, sem ter que recorrer ao Serviço de Urgências, evitando a ida ao Centro de Saúde às cinco da manhã.
O poder autárquico não poderá ficar de fora e, muito menos, ignorar as suas responsabilidades. Para criar esse pólo são necessárias: boas acessibilidades, cooperação ao nível do investimento tecnológico, um espaço físico adequado, condições para um atendimento de qualidade em que as e os utentes sintam que ali tudo existe para servi-los.
Cabe aos cidadãos e cidadãs ter uma palavra a dizer, pressionando a Administração Regional de Saúde para que, com a máxima brevidade, apresente um estudo sobre a melhor localização desse pólo avançado. Naturalmente, caso já exista um parecer que indique o Centro de Saúde de Miranda do Corvo como o que apresenta melhores condições, até porque acabou de ser remodelado, deverá ser cuidadosamente cumprido.
Não se pode enterrar a cabeça na areia e aceitar como mero fatalismo aquilo que querem tirar, sem que sejam dadas alternativas. O núcleo do BE acredita ser possível tratar a doença da saúde através da mobilização cívica das/dos munícipes, sem espírito bairrista, mas com a plena consciência da defesa do direito à saúde. Com a saúde não se brinca.
Núcleo do BE de Miranda do Corvo, Fevereiro de 2006

2006/02/03

3ª FEIRA SOLIDÁRIA

Realiza-se amanhã de manhã, começando às 10h, a Terceira Feira Solidária em Miranda do Corvo, realizada pelo Ñúcleo do Bloco de Esquerda de Miranda do Corvo. Junto ao Mercado de Miranda.

Aparece!

2006/01/25

Resultados Eleitorais em Miranda do Corvo

Presidenciais 2006
CAVACO SILVA: 2973 (45.79%)
MANUEL ALEGRE: 1925 (29.65%)
MARIO SOARES: 1016 (15.65%)
JERONIMO SOUSA: 310 ( 4.77%)
FRANCISCO LOUCA: 249 ( 3.83%)
GARCIA PEREIRA: 20 ( 0.31%)
Legislativas 2005
PS: 3788 (53.54%)
PPD/PSD: 2019 (28.54%)
B.E.: 349 (4.93%)
CDS-PP: 283 (4.00%)
PCP-PEV: 280 (3.96%)
PND: 53 (0.75%)
PCTP/MRPP: 37 (0.52%)
POUS: 16 (0.23%)
PH: 15 (0.21%)
PNR: 4 (0.06%)
Câm. Municipal 2005
PPD/PSD.CDS-PP: 3814 (51.33%)
PS: 3068 (41.29%)
PCP-PEV: 199 (2.68%)
B.E.: 108 (1.45%)
Ass. Municipal 2005
PPD/PSD.CDS-PP: 3481 (46.84%)
PS: 3216 (43.27%)
PCP-PEV: 287 (3.86%)
B.E.: 178 (2.40%)
Legislativas 2002
PS: 3163 (47.47%)
PPD/PSD: 2562 (38.45%)
CDS-PP: 332 (4.98%)
PCP-PEV: 253 (3.80%)
B.E.: 114 (1.71%)
PCTP/MRPP: 28 (0.42%)
PPM: 28 (0.42%)
MPT: 20 (0.30%)
P.H.: 20 (0.30%)
PNR: 9 (0.14%)
POUS: 8 (0.12%)
Presidenciais 2001
JORGE SAMPAIO: 3344 (62.27%)
FERREIRA AMARAL: 1699 (31.64%)
ANTONIO ABREU: 144 (2.68%)
FERNANDO ROSAS: 124 (2.31%)
GARCIA PEREIRA: 59 (1.10%)

TEMPOS DE SEMENTEIRA

A eleição presidencial do passado dia 22 de Janeiro encerra um longuíssimo ciclo político. Foi um ano alucinante - ou ano e meio, se nos reportarmos às eleições europeias de Junho de 2004, no qual aconteceu de tudo: desde a morte trágica de Sousa Franco, em campanha na lota de Matosinhos; o naufrágio eleitoral da coligação de direita PSD-PP e a "fuga para a frente" de Durão Barroso - no caso, para Bruxelas; o intervalo publicitário de Santana Lopes, até à dissolução do parlamento.
O ano de 2005 não quis ficar atrás do seu antecessor, e foi o que se viu: terramoto nas legislativas de Fevereiro que varreu a direita da governação e deu uma maioria absoluta ao PS, liderado por José Sócrates; as trapalhadas do referendo à pseudo Constituição Europeia, enterrada pelos NÃO da França e da Holanda; o referendo em falta sobre a despenalização do aborto; as autárquicas em 9 de Outubro, logo seguidas pelo arranque de uma prolongada pré-campanha presidencial.
Costuma dizer-se que tudo vai bem quando acaba bem - não foi o caso, para as esquerdas, no passado Domingo. Mas é bom visualizar todo o cenário, evitando pessimismos estéreis ou euforias descabidas. Sem esquecer o pano de fundo da "guerra infinita", com os EUA e os seus "parceiros" atascados no Iraque e no Afeganistão, com o Irão e sabe-se lá quem se segue na mira... Um mundo em convulsão com uma Europa submissa, digna da estatura do seu actual Presidente da Comissão, onde Ângela Merkel tenta emergir como nova 'dama de ferro'.
A eleição de Cavaco Silva à primeira volta, anunciada há meses, esteve longe da coroação sonhada pela direita. E a escassa margem de 64 mil votos deixa um sabor amargo à esquerda que teve a segunda volta quase ao alcance da mão, bastando para tal que a abstenção baixasse 2 ou 3 pontos percentuais. Sem a pretensão de atribuir culpas, foi evidente a desmobilização do eleitorado socialista que se viu confrontado com dois candidatos - Soares e Alegre - digladiando-se.Tal como nas autárquicas, o eleitorado aproveitou as presidenciais para castigar o governo de José Sócrates, defraudado pela violação das promessas eleitorais: aumento da carga fiscal para quem já pagava impostos, sobretudo o IVA a 21%; congelamento salarial e ataques selectivos aos direitos dos trabalhadores, procurando dividir a função pública do sector privado e isolar certas categorias profissionais, para encobrir uma ofensiva global contra o mundo do trabalho. Algumas medidas do governo, como os aumentos de transportes e de bens essenciais e do imposto sobre os combustíveis, na véspera das eleições, deram o empurrão que faltava para a curta vitória de Cavaco Silva.
Paradoxalmente - e ao contrário do que pretendia este voto "de castigo"- esta eleição é um impulso ao agravamento da política anti-social dogoverno. A cooperação institucional anunciada pelo novo inquilino de Belémvai no sentido de apoiar todas as medidas antipopulares, exigindo "coragem"ao executivo para que faça o "trabalho sujo" e nele se desgaste, com o brinde adicional de, assim, ir preparando o terreno à recuperação eleitoral dos partidos da direita e do seu velho sonho: "um governo, uma maioria e um presidente", agora por ordem inversa...
A candidatura de Manuel Alegre absorveu boa parte deste voto de castigo, não apenas à má escolha do candidato oficial do PS mas também à política do governo Sócrates. A grande expressão eleitoral desta candidatura coloca-o perante uma contradição insanável: ou regressa ao redil do PS - onde não há espaço de alternativa consistente ao neoliberalismo - para desilusão de grande parte dos seus eleitores; ou arrisca uma nova formação, para a qual não antevejo espaço político, tendo até como antecedentes (e ressalvadas todas as diferenças) as candidaturas de Otelo e Pintasilgo.
É justo realçar o bom resultado da candidatura de Jerónimo de Sousa, recuperando algum eleitorado tradicional do PCP que compareceu em peso às urnas - e ainda bem! A candidatura de Francisco Louçã, com bom desempenho e propostas inovadoras - por exemplo sobre a segurança social, que precisa deter tradução no parlamento - não evitou o desvio de votos urbanos para Manuel Alegre. Aconteceu também na cidade de Beja, em contraponto às subidas em concelhos como Vidigueira, Odemira ou Barrancos e em muitas freguesias rurais.
O enraizamento desta nova esquerda plural, popular e não sectária vai fazendo o seu caminho, com muito trabalho pela frente: no parlamento, na rua, nas autarquias, sindicatos e associações populares. Sem descurar a unidade de acção com outras forças à esquerda da governação, numa altura em que nem há eleições à vista...
Alberto Matos

anexo à estação de miranda

foto de rafael vieira

2006/01/24

Atingimos os quinhentos visitantes no blog! Estamos de parabéns!

SEJAMOS JUSTOS EM VEZ DE MESQUINHOS

[No passado dia 9 de Novembro celebrou-se] o Dia Contra o Racismo. Não é possível deixar passar esta data em branco sabendo que continuam a existir manifestações racistas, sabendo que muitos de nós continuam a despoletar a indiferença e a discriminação em relação a pessoas oriundas de outros países. Em pleno século XXI, continuamos a colocar como bode expiatório de todas as nossas desgraças, todos aqueles que são diferentes de nós. Depende das zonas onde vivemos, mas não somos pobres a apontar o dedo: ora são os chineses, ora são os “pretos”, ora são “os do leste”. Já para não falar na prata da casa - os ciganos. Todos nos incomodam. Sendo nós um povo de emigrantes, pergunto-me quando paramos para pensar e aceitar de uma vez por todas que, tal como gostamos de ser bem recebidos nos outros países, também devemos receber bem quem chega ao nosso. Faz parte da cultura de um povo receber e aceitar todos aqueles que tenham outros costumes, outras formas de pensar, tendo muitas das vezes uma formação superior à sua. A fama de hospitaleiro não deve funcionar só para os turistas. A diversidade significa enriquecimento, diferença é sinónimo de valorização do ser humano. Até porque, muitas das vezes as pessoas são discriminadas só por uma questão económica. Se tiverem dinheiro, até podem ser às riscas ou terem a pele cinzenta que já não importa.
Inventar desculpas falaciosas como o desemprego, o crime e esquecer tudo aquilo que está a ser feito por um Portugal mais fraterno, mais aberto, mais desperto para o mundo envolvente, parece-me que não é a melhor via. Curiosamente foi precisamente num dia 9 de Novembro, mas de 1989, que se abriram as fronteiras da Alemanha Oriental tendo sido destruído o Muro de Berlim. Deu-se o triunfo da democracia e a derrota do autoritarismo. Parece-me que a destruição dos 166 quilómetros do Muro da Opressão simbolizam precisamente a abertura, neste caso, dentro do mesmo povo. Não quero entrar em questões como a dicotomia socialismo/ capitalismo, interessa-me sim salientar que, quanto mais fechado um povo é, maior propensão para o dogmatismo e obscurantismo existe. Sejamos justos em vez de mesquinhos. Todos temos a ganhar com isso.

Não posso terminar sem desejar um excelente mandato aos autarcas que tomaram posse no passado dia 28 de Outubro. Tal como a Sra. Presidente, Fátima Ramos, referiu no seu discurso de tomada de posse, no Bloco de Esquerda de Miranda do Corvo existem pessoas com vontade de colaborar. Respeitamos a votação da(o)s mirandenses nestas eleições autárquicas e desejamos que este novo mandato seja pautado pelo progresso e desenvolvimento do concelho, sendo ouvida(o)s toda(o)s a(o)s cidadã(o)s de Miranda do Corvo. Defendemos a participação cívica, o envolvimento das populações e uma perspicácia democrática que permita a abertura a todas as forças políticas do concelho.
Júlia Correia, Núcleo do BE de Miranda

2005/12/21

VILA NOVA



gerador eólico de vila nova
foto de rafael vieira

ALDEIA DO CORVO



vistas da aldeia do corvo - rossio do corvo
fotos por rafael vieira

ALDEIA DO GONDRAMAZ



vistas da aldeia do gondramaz, nas faldas da Serra da Lousã.
foto acima de escultura de Carlos do Gondramaz
fotos por rafael vieira

NATAL VS SOLIDARIEDADE = MIRAGEM

Natal.

Eis uma palavra que deveria rimar com partilha, solidariedade, humildade e tudo isto com uma grande dose de amor, alegria e saúde.

Infelizmente, o Natal transformou-se num mensageiro comercial e fez cada um de nós seu escravo. Porque é isso que somos: escravos consumistas. Os grandes grupos económicos comandam a nossa vontade e orientam a nossa vida. Quem desejar um ecrã de plasma e não tiver dinheiro, basta ir à banca; ou quem quiser comprar um carro, a banca está lá para transformar o sonho em realidade.

Gastam-se pipas de massa em roupas mas pede-se crédito para o aparelho dentário do filho. Não há dinheiro para uma alimentação equilibrada mas há dinheiro para o telemóvel porque, segundo a publicidade, este é indispensável para a nossa sobrevivência. Não há dinheiro para comprar livros aos filhos mas há dinheiro para ir ver o jogo de futebol.

Passando para um plano mais alargado (consequentemente mais revoltante), não há dinheiro para construir hospitais pediátricos, não há dinheiro para dar gratuitamente livros aos nossos alunos (como acontece nos outros países da Europa). Mas há dinheiro, isso sim, para campos de futebol, para pagar ordenados exorbitantes a juízes, médicos, directores gerais e jogadores de futebol (porque esses também são pagos com o dinheiro dos contribuintes, não esqueçamos!).

Qual é a relação de tudo isto com o Natal? Uma balança com pratos desiguais. O Estado e as autarquias gastam demasiado dinheiro em obras que muitas vezes só servem para deixar o nome de quem mandou fazê-las. Estas entidades desprezam o aspecto social e as verdadeiras necessidades do seu eleitorado.

O consumismo rima com egoísmo e indiferença, e estes sentimentos muitas vezes passam de geração em geração. Os pais acham que têm direito a concretizar os seus desejos. Os filhos também defendem a mesma posição. Vai daí que os nossos rebentos, que por sinal são bastante perspicazes, quando não conseguem alcançar os seus objectivos, fazem simplesmente chantagem. Os pais, por preguiça, desinteresse ou desinformação cedem aos caprichos dos filhos. Dar tudo a um filho não é educação e não é certamente amor, mas é fazer dele um ser pequeno, egoísta e desinteressado de tudo e de todos os que o rodeiam.

Substituir o amor por bens materiais é típico de uma sociedade consumista que perdeu os valores que devem reger uma sociedade justa, aberta, solidária e consequentemente democrática. A democracia não significa somente direitos mas também deveres. E um dos deveres da democracia é tornar a sociedade mais justa. É evitar que uns tenham tudo e outros nada tenham. E isto ensina-se. Ensina-se que a liberdade não deve servir de desculpa para o nosso egoísmo e indiferença. Virar a cara porque não conseguimos ver as imagens da fome ou da sida em África, pensar que nada pode mudar o rumo das coisas, achar que uma voz ou uma cruz num boletim de voto não faz qualquer diferença não é sinal de oposição, mas sim de conformismo.

Sinceramente, era tempo que este planeta, porque não é certamente um mal só nacional, mude de rumo. O nosso tempo já lá vai, o problema são aqueles que cá ficam e que certamente não têm culpa da nossa estupidez.

Por achar que as palavras por vezes não bastam. Porque dar o exemplo não custa nada e é a melhor maneira de avançar, o Bloco de Esquerda vai realizar uma feira solidária de venda de brinquedos educativos, livros, cds , cuja receita irá reverter a favor de uma instituição do concelho de Miranda do Corvo. Esta feira irá ser realizada pela primeira vez em Dezembro, mas o Bloco pretende continuar com esta iniciativa ao longo do próximo ano, eventualmente mensalmente. Queremos que a miragem se transforme em realidade. Solidariedade? Sempre.

Miranda do Corvo, 17 de Dezembro de 2005
Texto revisto, Dezembro de 2005

2005/11/09

Acessibilidades


Como nota introdutória pretendemos condenar a leva de obras viárias que nestes últimos meses encurralaram e esventraram Miranda, num cerco apertado de máquinas e operários, de contrariedades e desconforto, isolando aldeias, sitiando a vila, impondo percursos e atalhos anormalmente extensos aos mirandenses e visitantes. A horda de trabalhadores ocupou Miranda em todos os seus acessos, desconsiderando os seus habitantes, numa manobra de absurda e denunciativa “caça ao voto”. De que outro modo se poderiam classificar estas obras, realizadas imediatamente antes e sobre as eleições autárquicas, obras estas que nunca teriam a visibilidade necessária se feitas noutra altura ou em menor escala, em épocas susceptíveis de menor congestionamento e/ou faseadas por ruas? Populismo gratuito e desonestidade intelectual é como as classificamos!


Miranda do Corvo continua longe, muito longe de Coimbra.

Miranda necessita de ligações viárias de qualidade, para não viver à sombra do transporte ferroviário que a marca como dormitório de Coimbra, precisa de soluções viárias capazes para vencer o isolamento a que a votaram a passividade dos anteriores executivos. A ausência de ligações rodoviárias eficazes estrangula o desenvolvimento da vila, impede que mais indústria se fixe, leva outras a ponderar a sua saída (levando consigo os tão necessários empregos), afasta eventuais visitantes e empurra potenciais moradores para outras paragens que não têm esta problemática de acessibilidades. Miranda conta sobretudo com uma inacessibilidade envergonhada e vergonhosa.

A ferrovia é uma mais valia para o concelho mirandense mas circula não sem inúmeros problemas (como sejam a interminável questão do Metro Mondego - que rejeitamos veementemente em favor de uma mais realista electrificação da linha da Lousã, as composições envelhecidas e seus decrépitos apeadeiros e estações e ainda a irregularidade dos horários e insuficiência de carruagens a horas de menor e maior afluência de viajantes, respectivamente). A Cp deve apostar claramente na manutenção e exploração das linhas férreas, devendo pôr de lado o encerramento e a entrega a privados da exploração das mesmas – aliás, não se entende muito bem, como é que noutros países europeus se procede ao alargamento do número de quilómetros de via férrea e em Portugal se procede em nome do lucro (!), ao encerramento de ramais. Por outro lado, pretende ainda o BE pedir um esclarecimento relativamente ao montante dos salários pagos pela Metro Mondego e do dinheiro público desbaratado por esta empresa, já que o projecto não avançou nem um milímetro.

Mas os cidadãos de Miranda não podem depender unicamente do caminho de ferro para chegarem à capital de distrito ou outros destinos e entendemos como fundamental a beneficiação da rede de estradas concelhia e das ligações regionais e inter-concelhias, seriamente degradadas e descuidadas ou deficientemente realizadas.

As responsabilidades serão sempre do executivo camarário mirandense pois constituem o porta-voz eleito das gentes de Miranda e os elementos de pressão natural, junto do Governo e do EP para a rectificação de traçados principais conduzidos por mãos incompetentes (como a EN342 e a EN17).

No caso da segunda estrada, chamada de das Beiras e de importância regional, é vítima de obras sobre obras desde 2001; soma trabalhos de reparação sobre trabalhos de rectificação numa empreitada que estava programada para durar um ano e se prolonga até hoje, já em 2005. É necessária uma posição de força para ver terminada esta obra de “Santa Engrácia” e é absolutamente necessário responsabilizar os culpados de tanta incompetência e desperdício de recursos.

A mesma situação repete-se na EN342, via vital de ligação peri-urbana e à A1, depois de decénio e meio (16anos!!) de constantes obras e adiadas esperanças para a população de Miranda, que continua a depender de vias secundárias e perigosas para sair e aceder às terras mirandenses, seja por via de Lamas, dos Moinhos, de Vale de Colmeias ou Segade. O troço da EN342 é tortuoso e serpenteante e convida a quem nele circule a um qualquer inesperado despiste. O segmento recém inaugurado com destino a Condeixa segue a mesma cartilha de irracional desenho de estradas. Pretendemos uma séria revisão e correcção desta variante a Miranda, por primordial necessidade.

Também as estradas municipais e camarárias precisam de atenção especial, de rectificação de traçados, revestimentos e bermas, convertendo estas em reais e seguros passeios e não apenas em meros escoamentos de águas pluviais em detrimento da circulação segura de peões. Defendemos ainda, a ligação da vila a todos os lugares do concelho, através de autocarros, com horários que sirvam as populações, deixando assim de haver lugares inacessíveis no concelho, contrariando a tendência de desertificação rural.

Estas obras de melhoramento constituem um processo de desenvolvimento fundamental a que o BE vai dedicar especial atenção porque consideramos Miranda com um potencial turístico e de fixação populacional descurado. Vamos colaborar como oposição competente, com contribuições construtivas e ocasionais lembretes.

Queremos que Miranda ocupe um lugar de destaque na GAM de Coimbra e que se posicione como local de atractibilidade turística beirã. Queremos o comboio potenciado como elemento turístico e convertido num veículo moderno, rápido e eficaz de transporte de massas. Queremos que o executivo agora eleito assuma as suas responsabilidades perante a população mirandense e realize todas estas obras necessárias ao seu conforto e progressão.
Núcleo do BE de Miranda do Corvo

2005/10/20

novas

Está online o site da candidatura presidencial de Francisco Louçã. www.franciscopresidente.net
Consultem o site oficial do partido: www.bloco.org, onde já se integra também, no segmento de sites locais, este blog.

2005/10/15

BE

Fiquem com este e esperem oposição organizada e lutadora em MC :
www.bloco.org

Ponto de situação

Sobre os resultados das eleições autárquicas
1. (...) Os resultados fundamentais indicam um desastre eleitoral do PS, o reforço do PSD e do PCP quanto a vitórias em câmaras municipais e uma subida eleitoral muito significativa do Bloco de Esquerda. Os resultados demonstram um importante e justificado descontentamento em relação à políticagovernamental.
2. É de sublinhar as vitórias do populismo em Gondomar, Oeiras e Felgueiras, mas a sua derrota em Amarante.
3. O Bloco manteve a maioria absoluta na Câmara de Salvaterra de Magos e elegeu cerca de 350 representantes nas assembleias municipais e nas freguesias: pelo menos 105 deputados municipais e quase 250 membros das assembleias de freguesia. Os deputados e deputadas municipais representam todo o país, desde as grandes áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, nos distritos com maior concentração populacional como Santarém, Setúbal, Braga, Algarve, Madeira, Aveiro, Coimbra e outros em concelhos do interior como Bragança.
4. A votação do Bloco (...) regista um aumento muito significativo: mais 96.199 votos nas Câmaras Municipais, 135.676 nas assembleias municipais e 89.476 nas assembleias de freguesia. Na maior parte dos casos, este aumento dev otação significa uma triplicação dos votos obtidos em 2001 e a consolidação das percentagens obtidas nas eleições legislativas. Para efeitos de comparação, registe-se que o CDS perde 28.814 votos nas Câmaras e 49.684 nas assembleias municipais (ressalvando os casos em que constitui coligações com o PSD) e a CDU ganha 5.549 votos nas assembleias municipais e perde 90 nas Câmaras em relação a 2001 (excluindo a votação de Lisboa, dado que em 2001 participou numa coligação com o PS e os dados não são portanto totalmente comparáveis).
5. O Bloco consegue uma vitória em Lisboa, com a eleição de Sá Fernandes, e sofre ainda uma derrota no Porto, com a não eleição de Teixeira Lopes. Em ambos os casos, as percentagens obtidas para as assembleias municipais são superiores às obtidas para as recentes eleições legislativas. A eleição de deputados municipais corresponde à expectativa do Bloco, mas a eleição de vereadores fica abaixo dos objectivos do Bloco, estando ainda pendente de recontagem de votos brancos e nulos a definição da eleição em Sesimbra e Almada (onde os vereadores não foram eleitos por muito poucos votos).

Novas

Nestas eleições, o Bloco de Esquerda obteve, a nível nacional, 2,96% de votos. O resultado foi diferente do que foi obtido nas legislativas de Fevereiro/2005. Mas as eleições não se podem comparar. No entanto, o Bloco consolidou e ganhou maior representatividade no território (ver nota de imprensa).
Em Miranda do Corvo, o núcleo do Bloco surgiu há coisa de meio ano. Daí em diante (durante 2 meses e meio) constituíram-se as listas candidatas à Câmara Municipal, Assembleia Municipal e Assembleia de Freguesia, apesar de muitas vicissitudes conhecidas e sentidas. Deste modo, o BE participou pela primeira vez nas eleições autárquicas do concelho de Miranda do Corvo. Os resultados eleitorais ficaram abaixo dalgumas perspectivas existentes, mas não podem ser motivo para desespero. A vida continua...O núcleo do BE de Miranda do Corvo fez um trabalho meritório, tanto a nível político, como a nível humano. Passado o rescaldo eleitoral, há um conjunto de responsabilidades acrescidas para na prossecução de todo um trabalho que se avizinha: eleições presidenciais, consolidação do núcleo, etc. As sementes estão e foram lançadas... Há um grande trabalho por fazer! Não podemos encerrar para obras, pois temo-las na frente.
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Notícias do Bloco

O Bloco de Esquerda elegeu 114 deputada(o)s municipais. Elegeu ainda 7 vereadora(e)s - em Lisboa, Moita, Entroncamento e Salvaterra de Magos - e 231 membros de assembleias de freguesia. Não estão fechadas as eleições para as Câmaras (dada a recontagem que foi pedida pelo BE em Almada e Sesimbra, onde estivemos à beira de eleger um vereador).

O Bloco de Esquerda quase triplicou a votação (212 mil em 2005 contra 80 mil em 2001). No total, o BE passou de 352 eleita(o)s locais, contra apenas 78 em 2001.

Foram eleita(o)s 10 deputada(o)s em Salvaterra de Magos, 5 em Lisboa, 4 em Braga, 3 em Sintra, Amadora, Matosinhos, Entroncamento, Almada, Moita e Seixal, 2 no Funchal, Porto, Barcelos, Guimarães, Coimbra, Portimão, Cascais, Loures, Oeiras, Vila Franca de Xira, Odivelas, Maia, Gaia, Ponte da Barca, Viana do Castelo, Barreiro, Sesimbra e Setúbal.

Foram ainda eleita(o)s deputados em Aveiro, Espinho, Ovar, Feira, Castro Verde, Fafe, Famalicão, Vizela, Bragança, Castelo Branco, Covilhã, Figueira da Foz, Lousã, Faro, Loulé, Silves, Vila do Bispo, Alcobaça, Leiria, Marinha Grande, Nazaré, Elvas, Amarante, Valongo, Gondomar, Vila do Conde, Abrantes, Benavente, Cartaxo, Santarém, Tomar, Torres Novas, Montijo, Palmela, Montalegre e Viseu, Santiago do Cacém.

camaradas

Aqui vão 2 blogs do núcleo do BE na Figueira da Foz:

espaço de energia alternativahttp://blocoffoz.blogs.sapo.pt/
espaço de opiniãohttp://bloco.blogs.sapo.pt/

2005/10/04

A EDUCAÇÃO É UMA MIRAGEM... EM MIRANDA DO CORVO

Ao longo dos últimos meses, todas e todos as/os mirandenses têm sido confrontadas/os com diversos actos públicos, que procuram evidenciar a preocupação da autarquia com a educação. Feitas as contas, o que parece, não é!!!
Inaugurações? Lançamento de primeiras pedras? Actos de consignação? O que vêm a ser afinal os equipamentos escolares construídos ou em construção? Oportunidades para a fotografia? Obras de calendário eleitoral? Não arriscamos uma resposta. Uma constatação apenas: em Miranda do Corvo a educação é uma miragem em termos de planificação e estratégia.
A construção da nova escola EB 2, 3 + Secundário, nos moldes em que está a ser realizada, representa um total desprezo pelas crianças e jovens do concelho, que assistem em definitivo ao enterro da possibilidade de usufruírem de espaços de trabalho e de estudo de qualidade. Não basta pintar e colocar um elevador e/ou o aquecimento num edifício obsoleto para torná-lo capaz de responder aos desafios de uma educação de qualidade.
Significa também um total alheamento face às aspirações das famílias dessas crianças e jovens que assistem em definitivo à manutenção da situação de insegurança que representa a obrigatoriedade de sair do recinto escolar, para aceder ao pavilhão gimnodesportivo (pago na sua maior parte pelo Ministério da Educação) onde decorrem as aulas de educação física.
E constitui ainda um total esquecimento de todas e todos as/os alunas/os com problemas de mobilidade que vêem definitivamente dificultado o acesso à educação física, quando o mau tempo não arrisca colocar as cadeiras de rodas eléctricas, à mercê do temporal.
Até podem dizer que não é culpa sua, que é dos estrategos do Ministério da Educação, dos engenheiros, enfim dos outros…Não podemos porém esquecer que o executivo camarário foi parceiro da decisão, pactuou com a falta de soluções e não foi capaz de olhar para os seus munícipes e resolver os problemas. Aliás, transformou os problemas provisórios (as antigas instalações pré-fabricadas) em situações definitivas.
Quanto ao novo Jardim-de-infância, não há dúvida que é uma obra de mérito, há muito desejada pelas famílias mirandenses. O problema é que fica na outra ponta da vila, enterrando em definitivo a possibilidade da construção de um pólo escolar que pudesse integrar num mesmo espaço, equipamentos escolares que servissem as crianças desde o pré-escolar ao secundário, facilitando a vida das famílias e a montagem de um dispositivo de segurança que protegesse os estudantes.
No entanto e enquanto o pré-escolar tem edifício novo, o 1º Ciclo continua a funcionar em situação precária, em horário duplo, não oferecendo condições nem espaço para funcionarem actividades extra-curriculares fundamentais à formação de novos cidadãos. Será que está planeado um novo edifício para outra ponta da vila?
Mais uma vez, parece ter vencido o calendário eleitoral, a ânsia da obra (mal) feita para mirandense ver em vez de uma verdadeira política de desenvolvimento.


Núcleo do Bloco de Esquerda, 25 de Setembro de 2005

FRANCISCO LOUÇÃ

coordenador nacional do Bloco de Esquerda visita Miranda do Corvo, no próximo dia 05 de Outubro de 2005, entre as 11 e as 15 horas, onde apontará um ponto negro no COncelho de Miranda do Corvo.
Entre as 13 e as 15 horas terá lugar uma Chanfanada Bloquista, no Café Restaurante Alheda-Caracol (situado nas proximidades do posto de Turismo de Miranda do Corvo).
O almoço será pago por todos.

2005/10/03

SESSÃO PÚBLICA

Entramos agora na recta final desta campanha eleitoral para as autárquicas... Sendo assim, chegou também a altura de se realizar a Sessão Pública do Bloco de Esquerda, que irá servir para demonstrar o crescimento da nossa força política.
A sessão realizar-se-á na próxima 4ª feira (5 de Outubro) a partir das 21h30, no Auditório do Instituto Português da Juventude (rua Pedro Monteiro, em Coimbra). Durante a mesma, usarão da palavra: José Augusto Ferreira da Silva (mandatário), Catarina Martins (candidata à AMC), Marisa Matias (candidata à CMC) e Francisco Louçâ (coordenador nacional do BE). De salientar, que esta sessão também contará com a actuação do grupo Dazkarieh*, durante cerca de meia hora.Traz
amig@s também!!!*"
A música dos Dazkarieh é caracterizada por um manancial rico e diversificado de sons inspirados em várias culturas musicais do planeta (...) do Brasil ao Caribe e aos Andes, da África à Índia, da Irlanda à Espanha. Partindo de idiomas musicais que caracterizam géneros como o flamenco, o jazz, a música tradicional europeia ou a música popular brasileira, este grupo de jovens portugueses apresenta uma síntese inovadora de música composta e improvisada que se torna, de facto, uma música do mundo." Salwa El-Shawan Castelo-Branco, etnomusicóloga